A cor é, com certeza, um elemento muito importante no nosso dia a dia. Muito do que fazemos está baseado nas cores, como, por exemplo, quando vamos nos vestir: abrimos o guarda-roupa e escolhemos a melhor combinação de cores da nossa roupa. Cada pessoa tem uma percepção e enxerga a cor de maneira diferente, inclusive dependendo do humor com que acordou. A idade, o ambiente e diversos outros fatores podem ser decisivos na hora de identificar as cores. Mas então como é possível medir e classificá-las? Quantos vermelhos, amarelos, verdes e azuis existem?

Por volta do ano 1900, em meio à Revolução Industrial, a indústria têxtil era uma das que mais cresciam no mundo. No entanto, começaram a surgir sérios problemas com a cor. Isso aconteceu porque as fábricas não tinham nenhuma referência, então não conseguiam reproduzir os tecidos da mesma cor. Mesmo que elas criassem uma “receita”, tinham dificuldade em reproduzir a mesma cor pela segunda vez.  Com isso viu-se a necessidade de criar um padrão de cores. Foi a partir daí que, em 1905, um pintor norte-americano começou a estudar as cores. Esse pintor foi Albert Henry Munsell, que, podemos dizer, foi a pessoa mais importante para o estudo das cores até o dia de hoje.

Através de seus estudos, Albert Munsell conseguiu criar um sistema de ordenação das cores. Esse sistema as ordena de forma tridimensional em um espaço cilíndrico de três eixos que permite especificar uma determinda cor através de três atributos. São eles: tom (hue), saturação (chroma) e luminosidade (value).

A ilustração do sistema Munsell de cores abaixo mostra um círculo de tons ao nível de luminância 5 e saturação 6; um eixo de luminosidade neutra de 0 até 10 e purezas da cor violeta-azul ao nível de luminosidade 5.

Não entendeu nada? Então vamos aprender o que significa cada atributo da cor para conseguir entender como funciona o sistema de Munsell e como ele chegou a esses resultados.

Tom (Hue)

O tom é o principal atributo da cor, pois é através dele que identificamos uma cor.  Na imagem acima a variação de tom ocorre circunferencialmente, ou seja, ao redor do círculo. Podemos dizer que o tom é o próprio nome da cor. Se lhe perguntarem qual é o tom de uma maçã, sua resposta será “vermelho”. O tom de um limão? Verde. A identificação do tom se dá pela letra H, de Hue, que significa “a essência da cor”.

Saturação (Chroma)

A saturação é a intensidade da cor, ela determina o quanto a cor é pura. Quanto mais pura, mais intensa é a cor, logo, é mais saturada. Quanto mais “suja” for a cor, menos intensa e menos saturada será. Acima vemos a variação de saturação de maneira radial, ou seja, do centro para as extremidades. Quanto mais perto do centro, mais suja é a cor, tornando-se acinzentada. Quanto mais longe do centro, mais pura e viva é a cor, o que é mostrado em sua totalidade. A identificação da saturação se dá pela letra C, de chroma.

Luminosidade (Value)

A luminosidade é o quanto a imagem é clara ou escura. A sua variação é medida através do eixo perpendicular ao círculo, e sua medida vai de 0 a 100%. Quanto mais perto de zero, mais escura é a cor, fazendo com que enxerguemos o preto. Quanto mais perto de 100%, mais clara é a cor, dando a sensação de branco. A identificação da luminosidade se dá pela letra L.

Através do estabelecimento destes três atributos foi que Albert Munsell começou seus estudos. Ele ordenou todos os tons e criou o que chamamos de Árvore de Munsell, que foi o primeiro sistema de codificação de cor e tinha a forma de uma árvore. Com esse sistema ele conseguia identificar de maneira rápida uma cor. Veja abaixo que a coluna principal determina a luminosidade, com valores na linha vertical. Quanto mais baixo, mais escuro; quanto mais alto, mais claro. O tom seria os “galhos” dessa árvore. E a saturação é dada dentro de cada galho, na linha horizontal. Quanto mais perto do centro, menos saturado; quanto mais afastado, mais saturado.

Como base foram utilizadas as cores vermelha (R), azul (B), verde (G), amarela (Y) e púrpura (P). Com a combinação destas, são formadas outras cores: cyan (abreviado por BG, azul + verde), laranja (abreviado por YR, amarelo + vermelho) e magenta (abreviado por RP, vermelho + púrpura). Quando Munsell queria falar de uma cor, na realidade ele citava a sua sigla, mais a sua variação. Um vermelho podia se chamar 10R ou 5R (R de red), sendo que os números são equivalentes a variações que um mesmo tom pode ter. Depois ele acrescentava o número do grau de saturação e depois a porcentagem de luminosidade. Se pegarmos o exemplo lá em cima ele vai dizer que temos o seguinte azul: 5PB/6/5. Explicando: o tom é um púrpura + azul (azul violeta), a sua saturação é de nível 6 e sua luminosidade é de 50%.

Foi a partir dos estudos de Albert Munsell que a CIE (Comission Internationale de L`Eclairage – Comissão Internacional de Iluminação) criou métodos, normas e princípios de equipamentos para quantificar e formular cores, viabilizando e agilizando o processo produtivo de todas as indústrias que trabalham com cores. Todos os sistemas que são utilizados hoje, como o LAB, CMC e LCH, foram feitos a partir desses primeiros estudos da CIE.

No artigo anterior vimos que para ver cor são necessários três elementos: luz, objeto e observador. Agora você já sabe que essa cor que é vista é composta por três atributos: tom, saturação e luminosidade. Mas saber disso é o suficiente para não ter mais problemas de cor? Na verdade, não. Simplesmente falar em tom, saturação e luminosidade pode ser relativo, afinal, já sabemos que as percepções de cor são diferentes para cada pessoa. A única forma então de ter precisão é através da medição das cores através de equipamentos, que não sofrem as influências que o olho humano sofre. O equipamento não dará informações como “verde azulado escuro”, mas sim  números que determinam exatamente qual é aquela cor. Dessa forma não existe possibilidade de erro. Na próxima edição você ficará sabendo como funcionam estes equipamentos, chamados espectrofotômetros.

Colaboração e materia por: JOSÉ ILO FERNANDES JUNIOR – LINKEDIN 

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